Estava dando uma organizada em meus arquivos e encontrei este artigo que escrevi no início de 2001 e foi publicado no Caderno de Gestão do Jornal O Tempo aqui de Minas Gerais.
Considerando que foi escrito há quase 10 anos atrás, o artigo continua bastante atual.
Vejam:
Por que sua empresa precisa da Internet Móvel?
A sua empresa está na Internet? Pressuponho que sim, pois você nem teria interesse em ler este artigo se ela não estivesse. Está também na Internet Móvel? Bem, independentemente de sua resposta, espero que este artigo ajude-o a refletir sobre o assunto.
Muitas vezes já me perguntaram: – Será que a Internet Móvel vai pegar? Por quê?
As respostas que dou são: – Sim. Ela vai pegar simplesmente pelo fato de que todos a querem, inclusive você!A Internet Móvel conta com o suporte dos interesses do mercado para que dê certo. Segundo a matéria de capa da revista “The Economist” de Outubro de 2000 – “The big wireless gamble”, o mercado está fazendo a maior aposta de todos os tempos num negócio: mais de US$300.000.000.000,00 (trezentos bilhões de dólares).
As Operadoras precisam! Um dos principais índices de desempenho de Operadoras de Telefonia Celular é o ARPU – Average Revenue Per User (Receita Média Por Usuário). Atualmente, existe uma tendência de queda deste índice na maioria das Operadoras. Segundo várias pesquisas de mercado, as novas possibilidades de receitas que surgem com a Internet Móvel fazem dela a melhor alternativa para reverter esta tendência.
Os Fabricantes precisam! A competição faz com que os fabricantes fiquem sempre lançando novos aparelhos com novos recursos para justificar os preços perante o consumidor. Ou seja, eles não precisam abaixar os preços para ficarem competitivos. De geração em geração, os aparelhos contêm cada vez mais recursos, mas o preço médio é sempre o mesmo. O top de linha de uma geração sempre pode ser lançado com o mesmo preço de lançamento de seu antecessor. O acesso à Internet e o mini-browser são as novidades que justificam os preços dos atuais lançamentos dos telefones celulares e PDAs (Personal Digital Assistants).
Os fabricantes de infraestrutura também precisam justificar a venda de estações de rádio mais modernas e toda a parafernália envolvida na comunicação sem fio.
Os Bancos investem! Investem em mais conveniência para os clientes, disponibilizando os serviços onde eles estiverem. Reduzem seus custos, pois as transações eletrônicas são mais baratas que as convencionais. Isto sem falar no Marketing – a inovação tecnológica consolida a imagem do banco junto aos clientes. Banco Real, Banco Boavista, Banco do Brasil, Bank Boston, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú e Unibanco, entre outros, já possuem soluções de m-banking.
Os provedores de conteúdo precisam! No Brasil, o número de PCs com acesso a Internet não chega a 10 milhões. Qualquer estratégia de expansão para atingir um número maior de usuários, passa por oferecer o conteúdo através de outros dispositivos. O número de usuários de celulares e PDAs (Palms e Pocket PCs) com acesso a Internet tende a ultrapassar de forma significativa o número de usuários de PCs.
Os Consumidores querem!!! Conveniência é a palavra chave. Ou seja, o usuário quer acesso a informações e serviços em qualquer lugar, qualquer hora, usando qualquer dispositivo! – “AnyWhere, AnyTime, AnyDevice”.
Esta onipresença ou ubiqüidade é o objetivo final que está sendo buscado pela Internet Móvel. Isto é ambicioso, digo até que é um sonho, porém é o que o cliente quer?
Alguns especialistas defendem que a Internet Móvel quebra um paradigma. Ao invés de buscar a informação para tomar uma decisão, a informação chegará até o usuário de forma automática para que ele tome sua decisão.
Quando acabo de argumentar, alguns me perguntam: – Se todos querem a Internet Móvel, por que só agora ela está começando?
Resposta: – É óbvio. Só agora as condições estão propícias: aparelhos estão sendo lançados, maior base de usuários potenciais, tecnologias abertas e padronizadas como o WAP (Wireless Application Protocol), SMS (Short Message Service) e VoiceXML estão disponíveis, etc.E por falar em WAP, quem não se lembra desta pequena sigla? Ela foi uma das maiores ondas do ano passado. WAP era sinônimo de Internet Móvel. A pergunta que me faziam não era nem se a Internet Móvel iria pegar. Me perguntavam se o WAP iria pegar? Eu respondia: Se o WAP vai pegar eu não sei, mas com certeza a Internet Móvel vai, e o WAP é o primeiro passo para quem deseja ser pioneiro nesta nova Internet.
O WAP passou por uma grande fase de moda. As revistas e jornais de informática só falavam nele. Era uma febre. Nesta fase acabou-se criando muita expectativa ao seu redor. Depois veio uma fase de reação. Surgiram piadas do tipo: WAP = Where Are the Phones?; WAP = Where Are the Profits?; WAP = Wrong Approach to Portability; WAP = Wait And Pay. A revista Info EXAME de Setembro de 2000 até publicou uma matéria intitulada “Os sete pecados capitais do WAP”. Segundo esta matéria os pecados são: a experiência do consumidor é ruim; WAP ainda é inseguro; contas altas; os serviços ainda são irrelevantes; onde está o modelo de negócios?; o desenvolvimento é caro; marcado para morrer. Muitos destes pecados já não são mais verdadeiros. Mas, mesmo se o fossem, o fato do WAP ser o primeiro passo para quem quer entrar neste mercado fabuloso que está sendo criado pela Internet Móvel já compensa investir nesta tecnologia.
Como já mencionei, também existem outras tecnologias rodando a Internet Móvel: SMS, VoiceXML, as tecnologias proprietárias dos PDAs como AvantGo, MovilGo e Hands, etc. E o interessante é que elas se complementam. O que uma tem de fraco, a outra tem de forte. O Serviço de Mensagens Curtas (SMS), aquele que permite o envio e recebimento de pequenos recados pelo celular, é a mais limitada das tecnologias, mas, em compensação, é a mais barata e a que já possui uma enorme base instalada de dispositivos compatíveis. A navegação por voz (VoiceXML) possibilita a operação “hands free and eyes free” e funciona com qualquer telefone. Os PDAs possuem telas maiores que os celulares e permitem navegação offline, a conexão só é necessária para fazer o sincronismo. Uma boa estratégia de Internet Móvel passa por usar todas estas tecnologias de forma que uma complemente a outra.
Para concluir, vamos reformular a pergunta do início do artigo: Por que sua empresa precisa estar na Internet Móvel? A resposta é muito simples: por questão de sobrevivência. Quando digo “estar” na Internet Móvel, quero dizer usar de forma efetiva as novas possibilidades que esta nova Internet nos trás. Com o atual dinamismo do ambiente de negócios, as empresas são forçadas a adaptar-se rapidamente às mudanças para tornarem-se mais competitivas. Entre as mudanças mais recentes e mais significativas no mercado está a crescente demanda por mobilidade. Isto significa que clientes, empresários e empregados devem poder acessar a informação e os serviços de uma empresa onde quer que eles estejam e sempre que eles desejarem. A disponibilidade constante e ubíqua é o conceito chave para a competitividade no futuro.
Sobre o autor:
Marcelo Costa de Oliveira – marcelo@takenet.com.br – Engenheiro Eletricista formado pela UFMG e pós-graduado em Inteligência Artificial, fundou há dois anos (Maio de 1999) a TakeNET, primeira empresa do Brasil especializada em Internet Móvel.
TakeNET – www.takenet.com.br – Leve o mundo com você!
Take the InterNET with you wherever you go!
O que acharam? Não continua bem atual?
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[s] Marcelo_O

